Fígado pode desenvolver outras doenças além de cirrose e hepatite

A cirrose a e hepatite são os termos mais conhecidos quando o assunto é doença hepática. As enfermidades do fígado podem ter origem genética, autoimune, por exposição a agentes químicos como consequência do uso de medicamentos. Mas, o que todas têm em comum é a dificuldade no diagnóstico, por falta de informação de pacientes e por lacunas na capacitação dos profissionais de saúde.

Antes de tudo, é preciso esclarecer que hepatite e cirrose são termos genéricos. A hepatite significa uma inflamação no fígado e pode ter diversas causas, destacando-se viroses, medicamentos, uso de chás e medicamentos fitoterápicos, doenças genéticas, exposição a tóxicos ambientais, obesidade e altos níveis de colesterol e triglicérides no sangue.

Já a cirrose hepática, por sua vez, é o estágio final de qualquer doença do fígado que não tenha sido diagnosticada a tempo de tratar a sua causa. Um dos erros mais comuns em relação à cirrose hepática é associá-la exclusivamente à ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Porém, este fator está relacionado a apenas 20% dos casos de cirrose e 15% das indicações de transplante de fígado no Brasil. Outras causas de cirrose incluem doenças genéticas, congênitas e tumores hepáticos.

É importante ressaltar que a maioria das doenças hepáticas não apresenta sintomas específicos e, por isso, muitas vezes, o diagnóstico não é feito ou é negligenciado pelo paciente.

Imagem futurística: um holograma de fígado acima da mão de um médico.

Doenças colestáticas: um capítulo à parte

Além da hepatite ou da cirrose, o fígado pode apresentar doenças colestáticas, nas quais há colestase, ou seja, dificuldade na excreção da bile. Como a bile tem diversos componentes que precisam ser excretados do organismo, sua retenção causa doenças no fígado. Entre elas, destacam-se a Colangite Esclerosante Primária (CEP) e a Colangite Biliar Primária (CBP). Ambas são condições relativamente raras e graves. Porém, já existem tratamentos específicos, desde que o diagnóstico seja precoce.

Segundo as Diretrizes de Doenças Colestáticas, publicadas em 2015 pela Sociedade Brasileira de Hepatologia, é possível estabilizar a doença, aumentar o tempo de sobrevida do paciente e reduzir a indicação de transplantes.